Segundo reportagem do jornal Estado de S. Paulo, esses exames RT-PCR estão estocados num armazém do governo federal em Guarulhos e, até hoje, não foram distribuídos para a rede pública.
Para
se ter ideia, o SUS aplicou cinco milhões de testes deste tipo. Ou
seja, o País pode acabar descartando mais exames do que já realizou até
agora. Ao todo, a Saúde investiu R$ 764,5 milhões em testes e as unidades
para vencer custaram R$ 290 milhões – o lote encalhado tem validade de oito
meses.
A
responsabilidade pelo prejuízo que se aproxima virou um jogo de empurra entre o
ministério, de um lado, e Estados e municípios, de outro. Isso porque a compra
é feita pelo governo federal, mas a distribuição só ocorre mediante demanda dos
governadores e prefeitos.
A
pasta diz que só entrega os testes quando há pedidos dos Estados. Ainda
ressalta que nem sequer as 8 milhões de unidades já repassadas foram totalmente
consumidas.
Secretários
estaduais e municipais de Saúde dizem que não usaram todos os testes, pois
receberam kits incompletos para o diagnóstico, com número reduzido de reagentes
usados na extração do RNA, tubos de laboratório e cotonetes de coletar
amostras.
Outro lado
Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não deu detalhes sobre como a validade do produto pode ser renovada, mas informou que a entrega de testes vencidos é uma infração sanitária.
O
Ministério da Saúde disse que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) está
realizando estudo “para verificar a estabilidade de utilização dos testes”. Os
testes foram comprados pelo governo federal por meio da organização. O
resultado da análise deve sair na próxima semana, diz o Ministério da Saúde. Questionado
sobre o que fará para entregar os testes antes de vencer a validade, o
ministério apenas declarou que distribui os exames a partir de demandas dos
Estados.

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