A ex-presidiária Naiana Alencar França, 32, e Leandro Christopher Ribeiro Silva, 19, foram presos, na manhã desta terça-feira (1º), em um apartamento, no conjunto Residencial Viver Melhor 2, bairro Lago Azul, zona norte da capital. A Polícia Civil (PC) chegou até eles após receber denúncias anônimas informando sobre o possível paradeiro de uma criança de 11 anos que foi, supostamente, sequestrada.
Segundo a delegada titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Joyce Coelho, Naiana seria a principal suspeita no sequestro de Sadia Reis Barros, 11, e o padrasto dela, Leilson de Souza Marinho, 35, ocorrido na tarde do dia 16 de setembro deste ano, na invasão Monte Horebe. A delegada afirmou, ainda, que Naiana responde a um “comando que está dentro do presídio”.
Após receber denúncias anônimas sobre o paradeiro da criança, os policias foram até o endereço verificar a informação, onde encontraram Naiana e Leandro. Com eles, foram apreendidas porções de cocaína e maconha, três notebooks, três aparelhos celulares, além de dinheiro e agendas com anotações do tráfico e um bilhete contendo orientações e o mapa do regime semiaberto, onde deveria ser realizada a entrega de uma encomenda.
“Nós temos convicção de que a Naiana tem envolvimento, sim, com o desparecimento da Sadia. Ela já tinha sido ouvida aqui nesta delegacia, estava sendo notificada para ser ouvida pela segunda vez, quando foi encontrada nesta situação com o Leandro”, disse.
A mãe da criança, de nome não divulgado, registrou um Boletim de Ocorrências (BO) na Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops), no dia seguinte ao desaparecimento, e o caso foi encaminhado para a Depca. Conforme a delegada, as informações repassadas para a Especializada é de que teriam sequestrado o padrasto, juntamente com Sadia, e que Naiana, com a ajuda de uma comparsa, cujo nome não foi divulgado para não atrapalhar as investigações, ficou responsável pelos cuidados e o destino da menina.
“Elas obrigaram a menina a fazer aqueles dois vídeos que circularam em todas as redes sociais. E a Sadia, tudo indica, estava no apartamento da Naiana, no Viver Melhor, na segunda etapa, local da prisão, e ela estava esperando ordem sobre o que fazer com a menina”, afirmou.
Joyce afirmou que denúncias anônimas apontam que várias pessoas estão sendo expulsas do Monte Horebe e que Sadia foi retirada de lá após a primeira entrada da polícia no local. Sobre a motivação do desparecimento da criança e do padrasto dela, Joyce falou que a polícia tem trabalhado com duas linhas de investigação. Em uma delas, há a alegação de que a menina teria sido vítima de estupro.
“Provavelmente, o padrasto já esteja morto. A criança, pela data do vídeo, ainda teria ficado viva. Nós temos algumas linhas de investigação. Primeiro, aquela alegação de que a menina teria dito que foi vítima de estupro também não pode ser descartada, considerando que há um suposto tribunal de execução naquela localidade”, falou.
Ainda de acordo com a delegada, após a apreensão dos objetos encontrados na casa de Naiana, foi verificado que a mesma realizava a cobrança de terrenos e lotes no local, além de taxa de manutenção de comunidade.
“Então, é toda uma organização criminosa que funciona ali, arrecadando dinheiro de taxas de moradores e vendendo lotes para que o morador construa o seu barraco. A gente também não descarta que ele (o padrasto), talvez, estivesse devendo algum dinheiro para este grupo. Então, é uma investigação que a gente vai continuar, até que possamos dar uma razão para o sumiço da Sadia”, acrescentou.
Passagens pela polícia
Naiana é ex-presidiária, tendo cumprido nove anos de prisão por roubo majorado, pela participação no assalto a um cartório, em 2017. Segundo a PC, de fora do presídio a mulher passou a coordenar atividades e responder ao chefe do tráfico da invasão Monte Horebe, que está preso.
Leandro também tem uma condenação por roubo majorado, uma passagem por tentativa de homicídio e uma por porte ilegal de arma de fogo. Joyce falou que ele foi preso com uma arma de uso restrito da polícia, na última quinta-feira (26), e foi liberado em audiência de custódia. O homem utilizava, ainda, tornozeleira eletrônica que, no momento da prisão, estava desligada.
A dupla foi autuada em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas. Eles foram encaminhados para audiência de custódia, no Fórum Henoch Reis, bairro São Francisco, zona sul de Manaus, ainda na tarde desta terça-feira.

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