O
número de fogos no Brasil cresceu 82% este ano, em comparação com o mesmo
período do ano passado, tendo o país registado mais de 71 mil focos de incêndio
até ao passado domingo. E a região da floresta amazónica é a mais afectada.
De
acordo com a imprensa brasileira, que cita dados do Programa de Queimadas do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma (conjunto de
ecossistemas) mais afectado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos,
seguindo-se o cerrado – ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil
–, com 30,7% dos focos registados no ano. O cerrado é o segundo maior bioma
brasileiro, ficando atrás em extensão apenas da floresta amazónica, com dois
milhões de quilómetros quadrados.
Segundo
a edição online do
jornal Estado de São Paulo,
em números absolutos Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndio
registados no Brasil, com mais de 13 mil, seguido pelo Pará, com 7975.
No
início de Agosto, o governo do Amazonas decretou situação de emergência no Sul
do estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao “impacto negativo da
desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas”.
“O
Amazonas registou, de Janeiro a Julho deste ano, 1699 focos de calor (focos com
temperatura acima de 47°C, registados por satélite, que indicam a possibilidade
de fogo). Destes, 80% foram registados Julho, mês em que teve início o período
de estiagem”, declarou o estado do Amazonas no seu site.
Depois
de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na
sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em
matas. O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete
anos.
O
investigador Alberto Setzer explicou que o tempo em 2019 está mais seco do que
no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles
não tem origem natural. “Nesta
época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em
actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele
só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.
A
expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas
semanas com a intensificação da seca.
O
INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e
queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do
presidente Jair Bolsonaro, que acusou o instituto de estar a serviço de algumas
organizações não governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento
da desflorestação da Amazónia.
A
informação recentemente divulgada pelo INPE e aponta que a desflorestação da
Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo
período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e
possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de
cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil,
Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa
(território pertencente à França).

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